Casório
Monday, August 25, 2008
Primeiro foi a aderência ao final específico dos contos de fadas. Depois, a simpatia indiscutível pelo gênero comédia-romântica. E, finalmente, quando me vi chorando de emoção ao ouvir Kenny G nos bancos duro da Igreja, veio a constatação: eu tenho a síndrome do casamento. Você, amante da independência feminina, da vingança do batom e da sede de vitória, pode até não entender meu fraquejamento perante o matrimônio. Mas basta lembrar da sua Barbie noiva ou de um final de filme romântico para que um sorrisinho sonhador te denuncie. E jogue o primeiro buquê quem disser que não!
A associação é instantânea: filme romântico bom é aquele que acaba em casório. Logo, uma história de amor que se preze, deve ter um "sim" de branco no contexto. O que te faz entender, por consequência, que felicidade é item de série no novo modelo de véu e grinalda. Isso tudo pode ser lindo para os produtores de novelas, filmes e cerimonais, que ficam milionários a cada chuva de arroz. Mas não pra nós, donzelas mortais que sonham em pertencer a esta fábula e acabam ouvindo numa tarde qualquer: "E aí amor, vamo morá junto?"
Aí não dá, né. Cadê a meia fina, o champanhe, a banda tocando Moon River? Cadê a dura escolha dos docinhos, as fotos no estúdio, o padre benzendo? Há quem diga que está na moda (na moda do bolso) ir morar junto direto e gastar essa grana toda com aluguel. Pois eu pergunto a vocês onde está o glamour numa frase dessas. Onde está o amor e o beijo no pôr-do-sol? Se até a Tieta do Agreste teve seu momento de enlace, eu, pobre influenciada dos Irmãos Grimm, também tenho direito a um papel passado. Já mandem preparar o bolo.
Obviamente, essa minha mania de enxoval já estremeceu alguns moços da minha vida. E deixa o atual levemente pálido. Poxa, eu até tento ser modernosa e botar o pé no chão. Mas chega certo ponto em que o amor é grande e merece ser celebrado na paróquia. Eu sei que sou nova e que tem chão pela frente. Mas há algo tão errado em querer que esse chão acabe num altar?
Tem gente que diz que não dura, gente que diz que é arriscado. Mas cá pra nós, eu acho que num mundo tão inconstante, embarcar num casório exige muito mais do que ser brega: exige coragem e muito amor. E se é isso o que precisa, tô dentro! Mas só entro se for levada no colo.
A associação é instantânea: filme romântico bom é aquele que acaba em casório. Logo, uma história de amor que se preze, deve ter um "sim" de branco no contexto. O que te faz entender, por consequência, que felicidade é item de série no novo modelo de véu e grinalda. Isso tudo pode ser lindo para os produtores de novelas, filmes e cerimonais, que ficam milionários a cada chuva de arroz. Mas não pra nós, donzelas mortais que sonham em pertencer a esta fábula e acabam ouvindo numa tarde qualquer: "E aí amor, vamo morá junto?"
Aí não dá, né. Cadê a meia fina, o champanhe, a banda tocando Moon River? Cadê a dura escolha dos docinhos, as fotos no estúdio, o padre benzendo? Há quem diga que está na moda (na moda do bolso) ir morar junto direto e gastar essa grana toda com aluguel. Pois eu pergunto a vocês onde está o glamour numa frase dessas. Onde está o amor e o beijo no pôr-do-sol? Se até a Tieta do Agreste teve seu momento de enlace, eu, pobre influenciada dos Irmãos Grimm, também tenho direito a um papel passado. Já mandem preparar o bolo.
Obviamente, essa minha mania de enxoval já estremeceu alguns moços da minha vida. E deixa o atual levemente pálido. Poxa, eu até tento ser modernosa e botar o pé no chão. Mas chega certo ponto em que o amor é grande e merece ser celebrado na paróquia. Eu sei que sou nova e que tem chão pela frente. Mas há algo tão errado em querer que esse chão acabe num altar?
Tem gente que diz que não dura, gente que diz que é arriscado. Mas cá pra nós, eu acho que num mundo tão inconstante, embarcar num casório exige muito mais do que ser brega: exige coragem e muito amor. E se é isso o que precisa, tô dentro! Mas só entro se for levada no colo.
360
Wednesday, August 20, 2008

"O mundo gira".
Poucas frases me fazem tão bem quanto essa. Claro, é indiscutível a obviedade e gigantismo do movimento de rotação do planeta. Mas impressionante mesmo é o que ele é capaz de fazer pela sua vida. Não é só uma simples metáfora, é fato: tudo, com o tempo, muda de lugar. A luz muda de intensidade, o topo vira fundo, a importância muda de foco. É absurdo pensar em estabilidade quando nem o próprio chão em que você pisa é imutável. E eu gosto muito disso, dessa inconstância da vida. Por mais que ela tire de você qualquer senso de segurança permanente, é ela quem te presenteia com a possibilidade de uma volta por cima. Em outras palavras: se o que é bom dura pouco, o que é ruim também não permanece.
Conforto para os insatisfeitos, ameaça para os acomodados. E eu fico com a primeira opção. Porque só quem está no meio do furacão pra saber o quanto é importante que um dia venha depois do outro. Eu fecho os olhos, intimido o calendário, engulo o choro. Proclamo o tempo como o meu melhor amigo - quase sempre, é ele quem tem a cura e as respostas para essas dores difíceis de categorizar. Eu olho para fotos, eu massageio meus pés, eu me sinto miúda. Mas o mundo gira, Milena, ele gira.
E aí eu penso que o coração, como músculo que é, também pode se fortalecer depois de tantos exercícios de "mundo girando". Porque posso ser a pessoa mais sedentária que conheço, mas no meu peito mora um atleta. E mesmo com tantas medalhas conquistadas, hoje ele só tem a mesma sensação de fracasso, de perda, de alguém que poderia ir mais longe. Eu mesma poderia ir mais longe. Mas quando acredito que já me conheço bem, vem alguma parte de mim se apresentar e dizer que tudo mudou de novo. O mundo girou de novo. E independente de qualquer escolha, ele me levou junto.
Conforto para os insatisfeitos, ameaça para os acomodados. E eu fico com a primeira opção. Porque só quem está no meio do furacão pra saber o quanto é importante que um dia venha depois do outro. Eu fecho os olhos, intimido o calendário, engulo o choro. Proclamo o tempo como o meu melhor amigo - quase sempre, é ele quem tem a cura e as respostas para essas dores difíceis de categorizar. Eu olho para fotos, eu massageio meus pés, eu me sinto miúda. Mas o mundo gira, Milena, ele gira.
E aí eu penso que o coração, como músculo que é, também pode se fortalecer depois de tantos exercícios de "mundo girando". Porque posso ser a pessoa mais sedentária que conheço, mas no meu peito mora um atleta. E mesmo com tantas medalhas conquistadas, hoje ele só tem a mesma sensação de fracasso, de perda, de alguém que poderia ir mais longe. Eu mesma poderia ir mais longe. Mas quando acredito que já me conheço bem, vem alguma parte de mim se apresentar e dizer que tudo mudou de novo. O mundo girou de novo. E independente de qualquer escolha, ele me levou junto.
E eu fui. Porque pra dar uma volta por cima, em algum momento você precisa estar por baixo. Foi assim quando me mudei de São Paulo para Floripa; quando achei que não ficaria bem sem alguém; quando o vazio parecia imenso - e quando vi tudo sendo preenchido por novas certezas. É sempre assim: ele gira, mas o eixo não muda. É dessa elasticidade dolorida e paciente que a minha tranquilidade depende hoje, pra que tudo volte pro lugar - aonde quer que este lugar esteja.
Sabendo disso, eu nem tenho mais medo. Nem tenho vergonha. Só respostas prontas.
Pro ex namorado que te fez mal e agora te quer de volta: o mundo gira. Pra alguém que te prejudicou e agora te vê no alto: o mundo gira. Pro antigo vício: o mundo gira. Pra mim: girei com ele.